quinta-feira, 3 de setembro de 2009

cartas e contos.

"a verdade é que pra todo lugar que a gente olhava existia uma grande falta de sentido em tudo. acordávamos, fazíamos promessas de segunda-feira com ar de reveillon mas no fim do dia batia mesmo era uma puta depressão. não nos bastavam aquelas vitrines todas, aquelas conversas programadas ou os encontros amorosos tão previamente combinados, o que queríamos não tinha nome. é, podia ser falta do que fazer ou talvez fosse mesmo porque o mundo estivesse andando com pernas longas demais comparadas as nossas, mas a tristeza era um elefante rosa no meio da nossa sala. antes que pudéssemos perceber viramos pessoas apáticas, tanto fazia perder minutos ou meses, a falta de capacidade de exprimir o tal sentimento nos paralizou transformando-nos prisioneiros da nossa própria existência. andar por aí, tentar ver as belezas da vida era inútil, os olhos só enxergavam consumo e lixo."

domingo, 5 de julho de 2009

acho que.

a vontade só nasce da impossibilidade.
uma vez que posso escrever 24 horas por dia, porque agora meus dias são folhas gigantes em branco, perdi a vontade.
meus textos estão se perdendo em micro blocos e guardanapos na mesa do almoço e eu não sinto pesar algum.

vai ver agora que não precisa mais de diploma pra minha mais nova carreira escolhida, eu volte a gostar de direito.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

show de quem?


o mundo se divide entre dois grupos de pessoas; as que viram show de truman e suas vidas nunca mais foram as mesmas e as que viram, e "ok, bom filme"; se você pertence ao segundo grupo, nem se incomode em continuar lendo, porque o meu grupo, é o primeiro (isso mesmo, não existe o grupo que não viu e se existe será ignorado).

eu não sei bem se já tinha pensamentos de truman antes ou depois do filme, mas se foi mesmo depois, esse filme realmente mudou minha vida. a idéia é fantástica e angustiante, e quem nunca teve a nítida sensação de que sua própria vida era um show? não sei se é pelo filme, ou se porque somos o país da novela, mas é quase inevitável não editar pequenas cenas mentalmente em pequenas atividades na rua. vai dizer que você, caminhando na orla nunca teve um momento manoel carlos? as coisas em câmera lenta, alguma música do tom jobim tocando, soa familiar? ou em um momento de pura fossa, você já imagina uma música triste ao fundo? é incontrolável. e esse é o lado bom do show de truman, aguçou a criatividade, e no fundo faz sua vida sempre parecer mais interessante do que é.

agora o lado hardcore do show de truman, não é sensação 'engraçadinha' de "oi, minha vida daria um filme" e sim a sensação paranóica de que "oi, minha vida É um filme"; outro dia numa das minhas já famigeradas conversas com meu irmão, falávamos disso. em como as vezes durante o dia acontecem coisas surreais, que modificam totalmente o rumo normal do dia e como tudo vem sem explicação; chegamos a conclusão de que se nossa vida fosse um show o único real incômodo, seria pros telespectadores, porque seria um saco, mas pensando melhor no assunto, soltei um pensamento que já vinha me consumindo e que tomara que vocês tenham tido a mesma sensação porque meu irmão concordou: vocês já tiveram a plena certeza, ou uma grande desconfiança de que podiam ouvir seus pensamentos? ok, agora oficialmente carimbei o crachá da loucura, mas sério, nunquinha passaram por isso?

morte, grandes acidentes ou doenças, blé, meu grande medo na vida, sempre foi que poderiam ouvir meus pensamentos. quando contamos isso pro nosso outro irmão, ele ficou indignado. não conseguiu conceber como a gente conseguiria sobreviver a essa certeza, porque o pensamento é a festa pra todas e mais sujas coisas que podem nos acometer, e que sem eles, nada tem graça. e sim, ele tem razão. sorte que meu irmão mais velho é tão maluco como eu. ele sabe o que é isso. ele sabe o que é parar de pensar em alguma coisa com a desculpa de "ih, se alguém ouvir que eu tô pensando nisso nunca mais falam comigo", ele sabe como é pensar em algo e ter a certeza de que alguém riu no exato momento do seu lado, enfim, ele sabe o que é ter essa neurose embutida na mente, e deus sabe que isso é o pior castigo que pode existir.

eu penso as piores coisas. sério. mesmo com a neura de "tão ouvindo ou não?" na maioria das vezes eu tô fazendo alguma coisa muito surreal com meus pensamentos. antigamente eu pensava só em coisas que tinham acontecido, sabe aquele pensamento só de reviver uma lembrança? então, mas ultimamente eu comecei a dar asas a minha loucura, e comecei a bater em pessoas via pensamento, humilhar, fazer barracos, uma forma de extravasar mesmo toda a raiva, sabe? uma maravilha. fora que pensamento não são só idéias, o pensamento é totalmente ligado ao visual, então junto com ele, vem as cenas, e elas acabam com a dignidade humana, sério. é só pensar no que você pensa quando 'ninguém tá olhando', horrível né? agora imagina ter a sensação de que podem pegar isso e colocar num telão pra todo mundo ver ao mesmo tempo?

claro que se isso for verdade, vocês vão comentar que já sabiam que eu ia escrever esse texto, porque eu vinha pensando nisso a semana toda, mas claro também que se minha vida for um show, vocês vão mudar de assunto, porque a 'produção' não deixará que vocês façam isso, certo? errado. no fim das contas mesmo, a maluquice reina tanto em mim, como em vocês. porque quem disse que eu só não disse isso tudo pra vocês não acharem que a vida de vocês é um show, e que eu não escuto seus pensamentos? deu pra alcançar o problema?

no fim o show é geral, no fim, é só você, eu e o truman.

sábado, 13 de junho de 2009

carta pr'a montenegro

cara, preciso te falar uma coisa que tá me consumindo; isso tudo o que a gente tá vivendo é besteira. sério. e olha, você sabe que eu não fumo nem nada, que meu único junk side é o raio da bebida, mas te juro, essas linhas são sóbrias. te garanto que o negócio é sério, é isso. me dei conta de que é isso mesmo, essas coisas todas que a gente mal sabe dizer o que são, mas que tão consumindo a gente 'é' besteira.

sei que só de ler essas primeiras frases você tá acendendo um cigarro, mas calma, vou te explicar já-já o que me ocorreu; hoje tava vendo um programa de tv, desses que a gente mal tá pensando quando bate o olho, e era sobre um casalzinho desses iguais de sempre com problema no namoro, mas no final de tudo, na hora que era pra mostrar como o casal ficou depois de um tempão de terapia de casal só a menina aparecia e dizia que o namorado tinha morrido. assim cara, do nada; de uma hérnia louca que os médicos não tinham se ligado e pum, foi levado pro andar debaixo. foi bizarro, sério. é aquele tipo de clichê insuportável mas a menina dizia que todos aqueles problemas, comparados a vida do namorado (que deus o tenha, mas era mesmo um sacana) eram nada sabe? e cara, (olha, já me desculpo por essa mania insuportável que carioca tem de usar cara o tempo todo, mas é que nunca fomos de formalidade) ele tinha 21 anos, quase a nossa idade! tudo me atingiu de uma tal maneira que pensei na hora em te escrever, pra te salvar dessa loucura toda que a gente tá entrando.

olha, são quase duas da manhã, meu vizinho tá ouvindo funk então eu não vou relativizar a razão da nossa existência a essa altura do campeonato, mas me deu um feeling propaganda da visa sabe? "a vida é agora" e tudo mais; relembrei das nossas horas a fio de conversas truncadas, de tanto esforço pra não dizer o que é pra ser dito e acho que o melhor mesmo é jogar tudo pro alto e viver essa merda. é, os odientos vão falar sim que a vida é mesmo uma bosta, que tá cheia de gente com mentalidade mesquinha e pode até ser isso, mas a vida é um cartucho só sabe? não dá pra ficar parando a cada coisa chata que acontece; tenta encarar assim, isso que a gente tá vivendo, esse engodo, esse nó que não desata, isso de "onde estamos? pra onde vamos?" é coisa da nossa idade. prometo. uns param e se ligam nisso, outros detonam a parada toda e nem conseguem perceber, mas a vida é como naquelas fases difíceis de videogame ,mas não tem como você salvar no meio e parar pra tomar uma àgua, sabe? ou chamar o irmão mais velho pra ajudar, sei lá, às vezes até rola, mas o que eu quero dizer é que tudo isso é normal e ta aí pra ser vivido e experimentado. taí, eu sei que agora você odiou tudo, falei que é normal. mas tenta pensar pelo lado positivo e atinar que todas essas nóias, essa dor-doída, é a bossa dessa palavrinha safada que é viver. se tivesse do seu lado te puxava agora, colocava a mão no seu rosto e falaria; confia e só. e finge que eu tô aí e que tô falando isso, confia. confia porque tudo o que você tá mais odiando agora vai ser o mais gostoso de olhar quando tiver mais lá na frente. então vai, confia. te prometo que a partir de amanhã, nossas vidas vão sair do preto e branco e tudo vai virar avenida.

segunda-feira, 25 de maio de 2009